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7 dicas indispensáveis para escrever anti-heróis mais interessantes

Quer entender melhor o que é um anti-herói? Está escrevendo aquele protagonista charmoso, mas cruel? Leia nossas dicas para construir caminhos narrativos cativantes

Succession
"Succession". Imagem: Veja

por Jessica Gonzatto



Transgressoras, excêntricas, maldosas e até criminosas. As personagens no estilo anti-heróis são as favoritas de muita gente - e não é por acaso!


A ficção nos dá liberdade para imaginar histórias que não viveríamos na vida real. E, nisso, entra a nossa curiosidade sobre como seria viver uma vida diferente da nossa, ou tomar decisões muito distantes da nossa própria moral. Algumas personagens acabam se destacando nesse contexto, como Tony Soprano, Coringa, a família Roy, Selina Meyer, Dexter e muitas outras.


Mas como escrever um anti-herói interessante, que capture a atenção? Como entender os limites de seu caráter? Quais as diferenças entre esse e outros tipos de personagem?


Confira nosso texto e capture algumas dicas para a sua narrativa!


Herói, Anti-herói ou Vilão?

Coringa
"Coringa". Imagem: reprodução

Primeiro de tudo, é preciso entender o básico: o que difere o anti-herói do ( já bem conhecido herói) e do vilão (ou antagonista).


O "herói" narrativo, no geral, seria aquele que sacrifica a si mesmo, abrindo mão de seus próprios desejos em benefício de outras pessoas ou do aprimoramento pessoal. É uma personagem arquetípica que supera sua própria "humanidade" e aprende atributos necessários para aniquilar um determinado problema, geralmente de dimensão épica.


Hoje em dia, essa dimensão compreende também o mundo cotidiano em suas diversas perspectivas, abordando outros tipos de aprendizados e mesmo jornadas. Mas, o herói sempre precisará aprender algo que o melhore como ser humano, melhorando também sua relação com os outros. Por exemplo, a Marvel tem um universo inteiro dedicado a esse tipo de personagem.


Nessa lógica, temos também o vilão, que é o antagonista personificado da história do herói - ou, então, o "herói deturpado de sua própria história". Hoje em dia, temos personagens vilanescas muito mais complexas e interessantes, que se aproximam bastante da ideia de anti-heroísmo que vamos discutir aqui. Porém, o vilão é, geralmente, movido por pulsões que irão favorecer a si mesmo - ao contrário do herói. É um arquétipo, portanto, que tem sua vilania em relação a algum tipo de heroísmo (mesmo que esteja deslocado em seu próprio filme, como "Cruella" ou "Drácula").

Darth Vader
O vilão Darth Vader. Imagem: reprodução

Muitas vezes, seu objetivo principal pode ser causar discórdia. Outras, pode ser se vingar de uma injustiça que julga ter sofrido. Outro ponto interessante é que muitos vilões modernos bem-sucedidos têm exatamente o mesmo objetivo do protagonista, mas maneiras e motivos "piores" para chegarem lá. Sua jornada também exibe pontos distintos e opostos ao do herói, como alienação, regressão e destruição. Exemplos? Darth Vader, Voldemort, Cruella De Vil, Hannibal Lecter e a nossa Nazaré Tedesco.


LEIA MAIS: 7 dicas fundamentais para escrever grandes vilões


Mas e a personagem anti-heroína? Podemos dizer que se encontra numa área cinzenta entre esses dois últimos. Não é um arquétipo tão estudado, e, por sua complexidade, pode ser mais complicado de construir. Podemos dizer que é uma atualização do herói trágico e, para além de outras coisas, o anti-herói une a "luz" do herói e a "sombra" de seu vilão, tudo num corpinho só. Exatamente como na vida real!


É uma personagem protagonista constituída de características ou objetivos "incomuns" num herói, muitas vezes contraditórios, mas que tem suas falhas de caráter muito bem delineadas e baseadas nas de pessoas reais. Também podem ocupar espaços de personagens coadjuvantes, mas geralmente têm mais impacto quando lideram sua própria jornada.

Tony Soprano
Tony Soprano. Imagem: Folha

Além disso, anti-heróis possuem um código moral próprio, mesmo que destoe do conhecido e utilizado pela sociedade. Geralmente, são personagens autocentradas; podem ter motivos até nobres e compreensíveis, mas tomam decisões imorais e vão por caminhos muitas vezes fora da lei.


Parte da nossa identificação com "pessoas difíceis" ou mesmo "horríveis" vem daí: suas nuances, reações menos que ideais e uma trajetória "imperfeita", cheio de altos e baixos - às vezes, parecidas com as nossas próprias.


Contudo, não é só porque a personagem é "complexa" e "multidimensional" que ela automaticamente será uma anti-heroína. Observe o que o autor Robert McKee diz sobre isso:

As pessoas usam a palavra “herói” para qualquer coisa. A maioria dos personagens principais ou principais não são heróicos. Eles estão apenas lutando para passar o dia com o melhor que a vida lhes deu. Um herói significa literalmente alguém que arrisca ou até sacrifica voluntariamente sua vida pela vida de outras pessoas. Isso é um herói. [Ele] é, por definição, muito desprovido em termos de dimensionalidade. Já o anti-herói [...] tem uma dinâmica clara entre o bem e o mal. São pessoas boas e más, ao mesmo tempo. Eles vão e voltam entre o positivo e o negativo em termos de moralidade. E essas personagens não são principalmente anti-heroínas no sentido tradicional. O anti-herói é alguém que [...] tem um código moral privado e pessoal. O personagem Mike, em Breaking Bad e agora em Better Call Saul, é um anti-herói, porque tem um código pessoal. Ele é um criminoso. Ele vai matar pessoas se necessário. Mas também mantém seu código gangster ao qual é leal. - Robert McKee

Em entrevista, o autor John Truby concorda:

Essas personagens não são apenas ruins - isso é simplista e não poderia produzir grandes histórias por muito tempo. Elas são complexas, o que produz histórias muito melhores. Agora, a palavra "complexa" é frequentemente lançada no meio da escrita, mas ninguém se preocupa em defini-la estruturalmente. A maioria das pessoas pensa que se refere a contradições psicológicas, que todas essas personagens certamente possuem. Mas o que realmente significa é que essas personagens têm contradições morais. Portanto, todas têm um código moral altamente compartimentado que as testa constantemente, até as profundezas de seu ser. - John Truby

Outra característica do anti-herói é que sua jornada narrativa não vai necessariamente ser de superação, mas uma cheia de objetivos e conquistas ambíguas. É muito comum esse tipo de protagonista viver um arco trágico, pois já comentamos que é uma espécie de herói trágico moderno com desdobramentos maiores. Ou então, um arco que não traz mudanças a si, mas ao seu redor.

Coringa
"Coringa". Imagem: reprodução

A identificação de uma personagem como sendo anti-heroína também depende do estilo, tema e formato da narrativa. O Coringa é um ótimo exemplo disso: inserido em "Batman, o Cavaleiro das Trevas" (2008), ele é o grande vilão da história. Já em "Joker" (2019), torna-se um anti-herói justamente pelo estilo narrativo empregado - o estudo de personagem, que visa entender sua formação como pessoa e suas ações póstumas. Saiba mais sobre isso.


Outros exemplos notáveis de anti-heróis são: Daniel Plainview, Tony Soprano, Selina Meyer, Harley Quinn, Macunaíma, Bonnie & Clyde, Morticia Addams, Jack Sparrow, Dexter, Máiquel e Amy Dunne.


Por que nos identificamos com anti-heróis?


A família inteira de "Succession" - bem como sua comitiva de agregados - é formada por pessoas mesquinhas, cruéis, manipulativas e imorais. Mesmo assim (ou talvez, por causa disso), essa é uma das séries de maior sucesso da atualidade e suas personagens arrecadaram verdadeiros fãs por aí. Por quê?


Grande parte do motivo vem da qualidade impecável da série, mas outra parte com certeza é a construção meticulosa das personagens anti-heroínas. O apelo e a popularidade delas pode ser atribuída, dentre outras coisas, à identificação por parte do público com personagens imperfeitas, com defeitos narrativos e realistas. Mas isso quer dizer que somos de fato tão depravados quanto Roman Roy?

Roman Roy em "Succession"
Roman Roy em "Succession". Imagem: The Hollywood Reprorter

Não! Pelo menos, não todos nós. Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, tem uma teoria do inconsciente humano que pode ajudar a refletir sobre essa questão. Em seu mapa do Aparelho Psíquico, ele dividia nossa psique em três instâncias: o ID, o ego e o superego.


O ID corresponde à impulsividade, sem limites. O superego representa os pensamentos éticos e morais que introjetamos, o que inibiria esses impulsos desenfreados de acordo com comportamentos aceitos pela sociedade. Já o ego, dentre outros fatores, acaba ficando entre essas duas instâncias, equilibrando nosso lado mais primitivo e o socialmente correto.


Por isso, quando gostamos de anti-heróis que cometem atos questionáveis, isso seria como um "espelho" do nosso ID projetado na ficção. Nossa identificação não significa que almejamos ser e agir como eles, mas que também possuímos desejos irracionais que estariam sendo concretizados ficcionalmente. Aqui, entram como exemplos personagens como Kendall Roy, Arya Stark, Thomas Shelby, Travis Bickle, Lisbeth Salander e Ellie (da nova série "The Last of Us").


As personagens mais divertidas de se trabalhar são as que são mais complicadas. – Drew Goddard (Perdido em Marte; Maus Momentos no Hotel Royale)

Hoje em dia, os anti-heróis representam as lutas e medos de pessoas reais, mas num contexto muito diferente do seu e através de ações também muito diferentes. Seriam, então, muito mais do que "escapes" fictícios, mas quase projeções de cenários que temos dentro de nossa cabeça e nunca poderíamos realizar na vida real (...ou pelo menos não deveríamos).

Lisbeth Salander
Lisbeth Salander. Imagem: reprodução

São personagens que aquietam nossas curiosidades: "como seria minha vida se eu fizesse isso?" "para onde minha trajetória iria se tomasse essa decisão?" e por aí vai.


A importância do tema e das relações entre personagens


John Truby, em sua obra essencial "The Anatomy of Story", traz um conceito fundamental para que as personagens encontrem e concretizem conflitos narrativos: a character web, ou Teia de Personagens.


Essa questão já existe desde muito antes dele (por exemplo, com o estudo de papéis actanciais), mas Truby se utiliza disso para comentar sobre narrativas modernas:

Ainda que usem essas personagens principais complexas, embora cruciais para a evolução da história, não poderiam produzir programas de alta qualidade em tantos episódios e temporadas. Isso vem da teia de personagens da história, provavelmente o fator mais importante na criação de uma boa série. Simplificando, a teia de personagens tem a ver com como todas as personagens em uma história se entrelaçam como um único tecido, tanto se conectando quanto se contrastando. Uma série com uma teia de personagem única - em que cada personagem é definida em oposição estrutural adequada aos outros - é a única maneira que escritores podem criar grandes histórias por vários anos. - John Truby

Ou seja, ao construir seu anti-herói, é fundamental que você construa outras personagens opostas dentro do tema de sua série. Novamente, "Succession" é o exemplo perfeito: dentro do tema "sucessão do trono do império familiar", vemos como diferentes personagens articulam suas ações, estratégias e reações. É através do contraste que entendemos melhor o caráter (ou falta de) dessas diversas facetas do mesmo objetivo. Isso fica ainda mais evidente quando falamos de séries.


Quando os seriados [...] aumentaram radicalmente o número de personagens que poderiam conduzir as histórias, mostraram ao público uma mini-sociedade. [...] Isso representa um fardo enorme para os criadores do programa e traz outro ponto crítico: o público ficará completamente perdido, a menos que a rede de personagens seja altamente organizada. A necessidade de organizar os personagens aumenta a qualidade dos seriados porque significa que cada mini-sociedade é determinada por algum tipo de sistema que controla as pessoas sob a superfície e até as escraviza. Em Família Soprano, era a Máfia. Em Mad Men, é uma cultura de consumo que glorifica um falso sonho americano. Em Game of Thrones e Downton Abbey, é uma estrutura de classe patriarcal rígida. - John Truby

Percebe como é necessário encontrar um tema e uma unidade dramática que evidencie a necessidade de outras personagens diferentes de seu anti-herói?


Isso pode valer para outros tipos de história, mas quando tratamos de anti-heróis, estamos tratando de alguém que foge dos padrões da sociedade em algum nível. Daí, a importância de complementares e opositores, para criarmos conflitos mais interessantes não só na tela como também dentro da cabeça do público. Como "julgar" aquela personagem que adoramos, mas que é uma assassina prolífica?



3 tipos de anti-heróis

Annalise Keating em "How to Get Away With Murder"
Annalise Keating em "How to Get Away With Murder". Imagem: Série Maníacos

De acordo com um artigo do Masterclass, geralmente podemos encontrar três tipos - ou níveis - de anti-heróis na ficção moderna:


  • O rebelde pragmático: o anti-herói pragmático é um realista. Essa personagem se associa com os "mocinhos'' e os "bandidos" à sua maneira, tomando medidas que considerem necessárias para cumprir seus objetivos. Sua moral é, na maior parte, boa, mas eles não hesitarão em fazer o que for necessário para serem ou sentirem-se heróicos - mesmo que isso signifique matar ou roubar. Não vão cruzar limites intencionalmente, a menos que seja para um bem maior, podendo seguir alguns dos passos da clássica Jornada do Herói. Aqui, podemos citar Deadpool.


  • O anti-herói inescrupuloso: é aquele cuja moral cai em uma zona cinzenta. Têm boas intenções, mas são movidos muito mais por interesse próprio do que pelo bem maior. Podem ser cínicos, ter uma visão cansada do mundo e suas ações são frequentemente ditadas por traumas passados ​​e conflitos internos, revelados por meio de uma backstory. Muitas vezes, até gostam do seu lado mais obscuro. Annalise Keating, a anti-heroína interpretada por Viola Davis na série "Como Defender um Assassino" (How to Get Away With Murder), é implacável e moralmente duvidosa, mas seus motivos começam a fazer sentido à medida que o público conhece mais profundamente sua vida.


  • Anti-herói por necessidade existencial: o protagonista anti-herói titular da série "Dexter" está no limiar de ser um vilão. Anti-heróis como Dexter Morgan justificam seu comportamento porque acreditam que resulta em algo benéfico à sociedade, embora suas ações sejam questionáveis ​​e, às vezes, criminosas. Por exemplo, Dexter pode ter "boas intenções" como um assassino em série que mata outros assassinos, mas seus feitos são aqueles normalmente associados aos de um antagonista.


O interessante é que podemos mesclar e construir outros tipo de personagens anti-heroínas. Qual o seu? Não tem certeza e precisa de ajuda? Então confira nossas dicas a seguir!



7 dicas para escrever "bons" anti-heróis

Kendall Roy em "Succession"
Kendall Roy em "Succession". Imagem: Plano Crítico

1. Capriche nas contradições da personagem


Esse é o primeiro passo nessa construção: fazer com que sua personagem anti-heroína seja multidimensional. Dê a ela um conflito externo - e temático - para acompanhar seus conflitos internos. Dê a ela características distintas, uma voz clara e um código moral bem original.


Talvez, construa uma pessoa que é egoísta e teimosa, ao mesmo tempo que age de forma pontualmente caridosa ou compreensiva. Ela deve mostrar quem é através de ações, tomando decisões que avançam no enredo, mas também revelam coisas sobre sua mentalidade.


O fato é que, quando você pinta alguém com todas as suas cores, nunca fica totalmente ruim ou bom. Mesmo a pior pessoa tem humanidade em algum lugar. –Terence Winter (Família Soprano, O Lobo de Wall Street)

2. Não exagere nas qualidades "difíceis"


"Difícil" é intrigante, mas também pode ser um grande tiro no pé.


Anti-heróis podem fazer coisas terríveis, mas precisam ser simpáticos o suficiente para que espectadores queiram acompanhar sua jornada. Portanto, é preciso equilibrá-lo com algumas qualidades mais positivas para nos manter do lado deles.

Fleabag
Fleabag. Imagem: reprodução

Pense na Fleabag: ela é uma pessoa que julga as outras, mas ao mesmo tempo é engraçada e ácida consigo mesma. Todo mundo já foi crítico consigo mesmo - logo, já temos um possível ponto de identificação. Qual a parte de nós que irá se conectar com a sua personagem, mesmo que inconscientemente?


3. Crie um objetivo irresistível


Se fizéssemos parte da família Roy, é extremamente provável que também agíssemos de forma repreensível para proteger nosso poder e herança trilhardária a todo custo.


Isso tem muito a ver com o objetivo em comum daquelas personagens: algo que, na maioria das vezes, nós como indivíduos reais também pudéssemos desejar. Aposte na identificação universal desse objetivo (dinheiro, aceitação, vingança, amor incondicional), mas também na coerência com a personagem que você construiu. Alguém como ela iria mesmo ter esse objetivo?


4. Conheça bem o universo da personagem


Você já tem uma ideia de como essa pessoa seria e agiria. E aí? Como ela vai atingir seus objetivos? Com quem ela vai lidar? Como toda narrativa, é essencial se utilizar de pesquisa de universo para enriquecer suas reações e circunstâncias.


Jack Sparrow vive num universo bem diferente de Selina Meyer, mas os dois são anti-heróis e possuem personalidades bem excêntricas. É essa riqueza de especificidade que vai engrandecer ainda mais o interesse do público na sua personagem.


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5. Aposte na surpresa


A surpresa é um elemento maravilhoso em qualquer narrativa. Mas, quando se trata de anti-heróis, nós queremos muito que essa personagem nos surpreenda com seus recursos criativos ou ideias fora da caixa.


Isso fideliza e traz ao público uma sensação de "segurança" de que a personagem sempre irá conseguir se safar da situação, ou então nos surpreender com uma reação diferente das que já tenhamos visto - justamente por se tratar de uma personagem complexa. É como se ela estivesse sempre um (ou vários) passos à frente de nós. Por isso que a dica número 1 é tão importante!


6. Não tome decisões fáceis


Isso vale também para qualquer tipo de protagonista, mas funciona muito bem no anti-heroísmo. Nós queremos nos identificar com as falhas da personagem e seus dramas, sem necessariamente virar um filme da Disney. Se você achar que é preciso matar o melhor amigo da protagonista e trazê-la para o fundo do poço, faça isso! Esse é um bom modo também de diferenciar o tipo de reação que você, como pessoa, acha "correto" e o que não acha, dentro do tema.

Tony Soprano
Tony Soprano. Imagem: UOL

Por exemplo: a personagem sofre uma perda por causa da ação da Personagem X e sofre muito. Até aí tudo bem - é compreensível para nós. Mas talvez ela vá além e assassine toda a família da Personagem X, a que matou seu amigo - inclusive, talvez, matando um personagem muito bem quisto pelo público ou por ela mesma.


Esse passo "a mais" é o que destaca ela como anti-heroína, já que isso faz parte de sua jornada pessoal mas não é necessariamente o que um herói faria. Pense em todas as decisões difíceis que Tony Soprano precisou tomar ao longo da série.


7. Compreenda bem o formato narrativo de sua história


A visão que temos de um anti-herói em um longa-metragem é diferente da que temos em uma série. As escolhas, payoffs e subtextos são diferentes dependendo do ritmo, formato e tempo narrativo. "Coringa" precisou plantar algumas dores e rapidamente colher as consequências.


Já em "Veep", Selina Meyer tem bastante espaço e diversas situações para mostrar as dificuldades que é ser uma mulher na política - ainda mais rodeadas de outras pessoas com 'aptidões duvidosas', segundo ela. Em "The Americans", temos a oportunidade de entender a vida inteira dos agentes Elizabeth e Phillip Jennings, conhecendo bem os motivos por trás de suas escolhas. Pense nisso na hora de decidir o formato de sua história.

Veep
Imagem: Amazon


Saiba mais sobre anti-heróis:


"Para não ter mais dúvida: as diferenças entre herói, anti-herói e vilão nas narrativas"


"What is an Anti Hero? Definition, Examples in Film & Literature"


"Female Anti-Heroes in Contemporary Literature, Film, and Television"


"Como escrever anti-heróis?"



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