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7 dicas fundamentais para escrever grandes vilões

Precisa de ajuda na construção de uma boa personagem antagonista? Quer desenvolver ainda mais seu vilão? Leia nossas dicas!

Hannibal
Hannibal. Imagem: reprodução

Uma das principais forças motrizes de qualquer história é o conflito - e você não pode ter um grande conflito sem grandes vilões ou oponentes. Embora seja verdade que todo tipo de personagem precisa ter sua própria luta, sua principal fonte de atrito contínuo será a dinâmica entre "herói" e "vilão", mesmo que isso seja simbólico. Portanto, saber como escrever oponentes é fundamental para a sua história.


Infelizmente, roteiristas de todo lugar caem na armadilha de escrever vilões que fracassam. Tais personagens existem apenas para lutar contra a protagonista, suas motivações são clichês e suas reações, previsíveis.


Mas então, como você escreve um grande vilão ou vilã? O que os torna memoráveis ​​e poderosos? Enquanto você desenvolve suas personagens, pense nessas dicas que traduzimos e adaptamos do Writing Cooperative e do blog do Arc Studio Pro!


Como desenvolver boas personagens (em geral)?


Personagens são com quem o leitor se identifica. É muito bom ter um enredo sólido, mas ninguém vai continuar assistindo se as personagens forem chatas. Mistérios são divertidos, mas ninguém pode negar o efeito que Poirot tem sobre a diversão da história, não importa quão inteligente seja a reviravolta. Poirot é grande parte do motivo pelo qual as pessoas amam Agatha Christie.


"Pode ser possível apresentar personagens com sucesso sem contar uma história, mas não é possível contar uma história com sucesso sem apresentar personagens: sua existência, como realidades reconhecíveis, é a única condição sobre a qual a história pode ser efetivamente contada." - Wilkie Collins

Então, para criar personagens primárias e secundárias que não apenas ajudem, mas aprimorem o enredo, a cada personagem que você cria para sua história, você pode perguntar: qual é o seu propósito aqui?


Esta pergunta o ajudará a descobrir o aspecto técnico da criação do personagem. Se uma personagem não fizer nada para afetar o enredo, corte-a sem medo, mesmo que seja sua ideia de antagonista. Lembre-se de que existem muitas maneiras pelas quais as personagens afetam a história e nem todas são óbvias.

Harry Potter
Harry Potter. Imagem: Magazine HD

Existe uma boa ferramenta para organizar tudo isso. John Truby, em seu livro 'The Anatomy of Story', diz que "um real oponente não só quer impedir o(a) herói(heroína) de alcançar sua objetivo como também compete pelo mesmo objetivo".


Aí, ele lembra que a coisa mais importante a lembrar ao escrever personagens é que todas fazem parte de uma "teia de histórias". Como elas funcionam em sua história está ligado ao arquétipo de sua personagem, se elas são 'o rebelde', 'a mãe', 'o mentor', 'o guerreiro', 'o trapaceiro', etc. e como esse arquétipo se conecta à sua protagonista.


Depois de decidir em qual arquétipo uma personagem se encaixa e, portanto, em qual função elas atuam na história, você pode ver se sua existência é realmente necessária para conduzir sua história à conclusão.


Por exemplo: sua protagonista realmente precisa de um ajudante? Você poderia responder 1) sim, porque é co-dependente/não possui o conjunto de habilidades para fazer isso sozinha, etc. ou 2) não, ela não precisa um ajudante porque na verdade é mais solitária/tem problemas de confiança/possui as habilidades para fazer tudo sozinha, etc.


Assim, construa também sua personagem antagonista com base nos mesmos preceitos e com base no tema. Qual lado ela representa? Como está interligada com a protagonista? Desenhe uma teia de personagens e escreva como elas estão ligadas umas às outras e também aos pontos mais importantes da trama. Este tipo de "mapa" vai ajudar a ter clareza sobre como manter a história em movimento e quem deve movê-la em qual direção.


Depois de saber por que uma personagem existe, você pode começar a desenvolvê-la pensando em como chegou nesse lugar e a pessoa que ela é no início de sua história.


7 dicas para criar boas personagens antagonistas

O Diabo Veste Prada
O Diabo Veste Prada. Imagem: Séries Brasil

1. Grandes vilões também são gente (quando são)


Pessoas são complexas. Possuem todos os tipos de falhas, peculiaridades e relacionamentos. As personagens vilanescas não são diferentes. Isso não significa que precisamos bombardear o roteiro com todas as suas implicâncias, mas saber como é sua personalidade completa é crucial. Dessa forma, quando um momento relevante nos dá a oportunidade de trazer um toque de cor para suas ações ou diálogo, podemos fazer isso.


Todos nós temos paixões e desejos e eles influenciam a forma como reagimos ao meio ambiente e às outras pessoas. Um grande amor pela música clássica pode fazer alguém inclinar a cabeça ao ouvir sua música favorita no elevador ou sentir empatia pela garota que toca violino no metrô. Mesmo um vilão desconhecido e arquetípico precisa ter uma personalidade, ainda que seja pouco revelada.

Coringa
Coringa. Imagem: TecMundo

Muitas vezes, aqueles poucos momentos de humanização servem como um contraste gritante com outro em que se comportam de maneiras distintamente desumanas.


Pode parecer estranho dizer 'conheça sua personagem o melhor que puder, mas não torne isso tão pessoal', mas como Graham Greene aponta, permitir que elas cresçam ajudará a torná-las independentes e, portanto, mais úteis na sua história.


"Protagonistas [...] devem necessariamente ter algum parentesco com o autor, saem de seu corpo como uma criança sai do útero, então o cordão umbilical é cortado e eles crescem em independência. Quanto mais o autor conhece dele, quanto mais ele se distanciar de seus personagens inventados, mais espaço eles terão para crescer". - Graham Greene

Isso vale também para bons vilões! Ame suas personagens. Compreenda-as. Mas nunca se esqueça por que estão lá.


Só porque você ama o quão peculiar e incompreendido o Coringa é, não significa que ele ainda não iria se envolver em uma onda de assassinatos. Você precisa que eles tenham independência de seus próprios valores morais para que possam cumprir seu propósito criativo.


2. Grandes vilões representam coisas maiores

Bastardos Inglórios
Bastardos Inglórios. Imagem: reprodução

Às vezes, no sentido prático, uma pe