• Writer's Room 51

Rodadas de negócios: o que fazer, o que esperar, o que evitar?

Atualizado: 19 de Set de 2020

Convidamos os roteiristas Bruno Bloch e Filippo Cordeiro, criadores do podcast Primeiro Tratamento, para entender todos os detalhes sobre as rodadas de negócios

Imagem: reprodução

Todo roteirista parte de um princípio criativo. Afinal, dedicamos nossa vida a isso: criação. Dito isso, devemos levar em conta os fatores mercadológicos também. Como transformar todo o processo de desenvolvimento em um produto que o mercado queira investir?


Essa é uma tarefa difícil, mas existem ferramentas e espaços dedicados exclusivamente a isso. Festivais, Concursos e demais eventos voltados ao meio audiovisual servem para o roteirista construir pontes para o mercado. É importante criar, mas também circular pelo meio.


No centro disso tudo estão as rodadas de negócios. Nos últimos dias, tanto o FRAPA quanto o Primeiro Tratamento anunciaram os resultados das rodadas de negócios de 2020, abrindo um espaço importante para debatermos esse assunto com maiores detalhes.


O que esperar de uma rodada de negócios? Como funciona? O que fazer e o que evitar? Muita gente já sabe como é participar de uma rodada como essas, mas com altos números de inscritos nesse ano, sabemos que diversos roteiristas iniciantes também estão chegando aí!

Bruno Bloch e Filippo Cordeiro. Imagem: Filippo Cordeiro

Para debater com a gente esse importante tópico convidamos os roteiristas Filippo Cordeiro e Bruno Bloch, criadores do podcast Primeiro Tratamento. Além de administrar suas carreiras como roteiristas, os dois dedicam seu tempo a apresentar o podcast, que reúne muito conteúdo bacana sobre roteiro e entrevistas com grandes nomes do mercado.


Em 2020, o Primeiro Tratamento resolveu lançar uma ideia um tanto antiga: criar a sua própria rodada de negócios. Segundo Filippo, tanto eles quanto os players se surpreenderam com “a qualidade média dos projetos”.

“Recebemos um email de um player dizendo ‘gostei da qualidade dos projetos, achei melhor do que coisas que eu vi no Rio2C”, revela Filippo. Com tantos talentos disputando a atenção dos players, como se destacar? Vamos entender melhor esse assunto!


De onde veio a ideia?

Imagem: Primeiro Tratamento

Segundo levantamento da equipe, foram 298 roteiristas e 519 projetos inscritos na rodada de negócios. Um número bem significativo e que reflete o engajamento do público a ações como essa, reforçando a importância de construir espaços de conexão entre roteiristas e players.


De onde surgiu essa ideia, afinal? Quem vê o projeto em movimento muitas vezes nem imagina o trabalho que deu para organizar tudo isso. Trabalho esse que contou muito com o apoio do Thiago Costa, técnico em TI e também roteirista.


“Era para ser um esquema muito menor, com no máximo 12 produtores. E agora estão com 18, o projeto aumentou”, reforça Filippo, salientando como o projeto ganhou força rapidamente. Bruno lembra de um e-mail recebido por Thiago Costa, quando ainda estabeleciam os pilares técnicos do projeto.


De acordo com Bruno, o e-mail trazia um alerta: “não vai dar certo”. Thiago se referia às estratégias de articular tantas reuniões em uma mesma plataforma online. Por sorte, tudo isso já foi testado e solucionado para evitar problemas na hora dos encontros.


Optando pela utilização da plataforma Zoom, as rodadas serão organizadas em uma espécie de “salão virtual”, onde diferentes reuniões ocorrem ao mesmo tempo. Tudo isso para otimizar ao máximo a experiência.


Bruno e Filippo comentam que a rodada de negócios já estava no radar deles há algum tempo. “A gente recebeu lá atrás uma ideia de um ouvinte de fazer alguma iniciativa para tentar aproximar roteiristas ao mercado, usando os nossos contatos”.


Ele completa: “a gente achou interessante, mas ainda um pouco vaga. Guardamos ali na gaveta. Conforme foi chegando a questão da pandemia, a gente foi avaliando as ideias. Lembramos dessa ideia e começamos a amadurecer”.


Com um vácuo no calendário dos festivais e eventos, esse projeto veio em boa hora. Sabemos que os roteiristas caíram em cima da oportunidade, mas como foi o diálogo com os players? Buscamos entender melhor essa relação.


“Em um primeiro momento fomos sondar algumas pessoas, fazer os primeiros convites. Todo mundo estava achando legal a iniciativa. Logo em seguida, quando anunciamos, outros produtores vieram falar com a gente. Produtoras bem legais, produtoras grandes, que nós não tínhamos muito contato. E assim foi aumentando” - Filippo Cordeiro

Filippo destaca a adesão do pessoal do mercado para deixar um recado: estão todos bem engajados para esse momento de troca.


Sobre a organização dos projetos recebidos

Imagem: reprodução

Filippo e Bruno nos explicam que tiveram de fazer uma triagem para, então, distribuir os projetos aos players de acordo com as suas específicas demandas. Podemos entender como uma espécie de curadoria, seguindo algumas orientações.


“Nas primeiras conversas a gente entendeu que os players, de certa forma, demandaram esses filtros”, comenta Filippo. Afinal, o que são esses filtros? Eles ficaram atentos a questões como gênero, formato, gramática, mas também a questões mais indiretas, como se o projeto em si não estava muito fora das nossas realidades de mercado.


Esse último ponto é muito importante. Não basta cuidar da qualidade artística do projeto, mas também pensar na forma como ele dialoga com o nosso mercado audiovisual. Para isso, é preciso conhecê-lo bem.


O que esperar da rodada de negócios?

Imagem: Shutterstock

No meio de tanta expectativa, é importante trazermos uma visão realista: não devemos entender a rodada de negócios apenas como um pitching de vendas, embora seja um ponto importante do processo.