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"Depois dos Créditos": público, mercado e carreira audiovisual

Juliana Soares e Yera Dahora, criadoras do DEPOIS DOS CRÉDITOS, falam sobre o podcast, suas inspirações e levantam reflexões sobre formação de público e orientação de carreira

Juliana Soares e Yera Dahora
Juliana Soares e Yera Dahora. Imagem: Camila Svenson

O Podcast


Com convidados como Yasmine Evaristo, Marcelo Andrade, Juliana Rosenthal, entre tantos outros, o podcast DEPOIS DOS CRÉDITOS foi criado por Juliana Soares e Yera Dahora, duas profissionais atuantes no meio audiovisual, com experiência em direção, roteiro e produção e que tem como objetivo principal a formação de plateia.


Com uma linguagem acessível e um pouco de humor, o conteúdo é composto por análises técnicas de produtos audiovisuais e entrevistas com profissionais do mercado.


Segundo as criadoras, o podcast nasce de um desejo em compartilhar seus conhecimentos técnicos e experiências sobre filmes e séries que as mesmas estão produzindo e/ou consumindo.


A informação é passada de forma leve e descontraída e abrange muitos temas — de um panorama do mercado audiovisual brasileiro e internacional à análise de filmes e séries. Para elas, a missão, acima de tudo, envolve “formar um novo espectador, com um olhar mais apurado ou, pelo menos, mais informado sobre o que ele está assistindo”.


“O podcast surgiu muito naturalmente disso, de ficarmos horas conversando sobre cinema, meio ‘tricotando’, muito casual. Estabelecemos do princípio a vontade de fazer um conteúdo mais acessível, mas também com um olhar técnico.” - Yera Dahora

Essa premissa, por si só, traz importantes reflexões sobre o mercado audiovisual. Para entender melhor os “bastidores de conteúdo” e como pensam Yera e Juliana, convidamos as criadoras do DEPOIS DOS CRÉDITOS a dividir conosco o que pensam sobre o audiovisual, na frente e atrás das câmeras. Confira a entrevista a seguir.


O que falamos quando tratamos de formação de público?

“As pessoas têm essa sensação de que o cinema está sempre em um lugar erudito. A primeira ideia foi essa: falar de cinema com uma linguagem super acessível”, Soares justifica a proposta do podcast, destacando: “também tentamos trazer um pouco de teoria, justamente para que as pessoas discutam um pouco. Para não sair do filme só naquele ‘gostei/não gostei’”.


Quando refletem sobre o público do próprio podcast, a resposta é clara: boa parte daqueles que consomem DEPOIS DOS CRÉDITOS estão fora da bolha de realizadores. Para as duas, isso é resultado de um dos principais pilares do projeto: ser mais uma peça a debater e divulgar o audiovisual brasileiro, mas sempre com um distanciamento crítico.


“Precisamos elevar a barra do conteúdo para a gente não ficar ouvindo executivos dizer que no Brasil só se faz novela e comédia”, contextualiza Soares, deixando bem claro sua admiração pelos gêneros (existe um episódio inteiro dedicado ao melodrama, por sinal). Seu ponto está na pluralidade de conteúdos possíveis. Por isso, ela complementa: “a gente não é só isso”.


Para as criadoras, encontrar espaço para uma pluralidade de conteúdos audiovisuais brasileiros, para além do melodrama e da comédia pura, é uma via de mão dupla. Por um lado, depende dos realizadores encontrarem estratégias para melhor apresentar seus projetos aos players. Por outro, depende também dos próprios executivos  reconhecerem a oportunidade de investir em outros gêneros e formatos. 


“Sempre que você vai estudar história do espectador brasileiro, é sempre um tema político de certa forma.” - Yera Dahora

Para além de assistir, Juliana e Yera falam da importância de se posicionar, sim, não só de forma elogiosa, mas de forma crítica ao que consumimos no audiovisual como um todo. Isso faz parte da formação do público e pode orientar novas tendências.


“Esse é o nosso papel de cobrança, a barra precisa estar lá em cima. Não basta só assistir, dar dois tapinhas nas costas do colega e dizer que está lindo, ‘pois você conseguiu realizar’... Eu não sei como isso estimula a barra a subir no mercado”, resume Soares.


Para Yera, a formação de público passa necessariamente por pensar um sistema de distribuição capaz de quebrar a ideia de que “o único espaço do cinema brasileiro é no circuito de festivais”. Isso depende de políticas públicas e ferramentas amplas, mas passa também por iniciativas como o próprio podcast que, segundo elas, também busca ocupar esse espaço.


A carreira para além do deslumbramento

“As pessoas não têm ideia da tramitação da Lei do Streaming, por exemplo. Seu futuro profissional depende um pouco disso”, destaca Soares, referindo-se à PL 8889/17, que propõe regulamentação do setor de plataformas de streaming no país. Quer saber mais sobre a importância da PL e tirar dúvidas? Clique aqui.


Soares ainda comenta que, ao frequentar eventos dedicados ao mercado audiovisual, costuma testemunhar “um grande deslumbramento por parte dos novos talentos e recém-formados”. Esse deslumbramento, segundo a roteirista e podcaster, é sintoma do abismo entre a academia e o mercado e a falta de conexão com a realidade do setor.


Para além de pontos de encontro, elas destacam a importância de compreender estes eventos, como o Rio2C, como espaços para debate, instrução e politização da classe trabalhadora do audiovisual.


“Paga-se muito caro para um evento como o Rio2C, por exemplo, o maior que a gente tem hoje no Brasil. Uma oportunidade única para você estar frente a frente com um executivo de canal, dono de produtora, se apresentar e entender como eles trabalham, se vender como profissional, vender o projeto, etc. Mas existe um deslumbramento que dissipa esse foco.” - Juliana Soares

Esse deslumbramento está em perseguir mesas e painéis onde o holofote está nos grandes players e seus conteúdos, no lugar de encontrar espaços para ingressar em debates sobre ferramentas que propõem melhorias ao nosso setor e informações cruciais para que não apenas roteiristas, mas realizadores como um todo compreendam o status do mercado. “Existe um abismo entre a universidade e a realidade. A minha vontade é pegar na mãozinha e falar: ‘o buraco é bem mais embaixo, amigo’”, completa Soares.


Citando o episódio com o roteirista Marcelo Andrade, Soares sublinha: “precisamos entender o capital criativo como um capital mesmo”. Estaríamos tão focados em alavancar nossas carreiras que, no fim das contas, esquecemos de pensar na saúde da nossa classe como um todo?


É importante lembrar que, ainda hoje, não arrecadamos e distribuímos valores devidos aos autores roteiristas pela exibição pública de suas obras. Da mesma forma, em muitas esferas ainda estamos longe do piso proposto pela tabela de remuneração apresentada pela ABRA. Sem uma conscientização política instrumentalizada em ações efetivas, corremos o risco de ficarmos presos em um looping de precarização.


Para as podcasters, o outro lado da equação também precisa ser considerado. Afinal, como contam, “se as produtoras estão atrás de conteúdo é porque precisam dos criadores para gerar e desenvolver conteúdo no ritmo desejado pelo mercado”. 


Valorizar o setor criativo é um caminho necessário. Esse caminho é trilhado por todos — das pessoas roteiristas que precisam, sim, lutar por melhores condições e fomentos para produtoras independentes, mas também dos tomadores de decisão, dos players que formam importantes parcerias para levar pluralidade ao público.


Não podemos esquecer, é claro, da importância de estabelecer diálogos frutíferos com o público e entender a distribuição — das pequenas às maiores iniciativas — como um braço importantíssimo. 


Se interessou por esses temas e quer saber do que falam Juliana e Yera no DEPOIS DOS CRÉDITOS? Clique aqui!



Conheça as autoras 


Juliana Soares

Roteirista e produtora criativa, formada em Comunicação Social com habilitação em Rádio e TV e especialização em Dramaturgia. No mercado audiovisual desde 2007, já passou pelas áreas de Produção, Produção Executiva e Desenvolvimento. Desde 2011, participa ativamente em importantes eventos de mercado como Rio2C e FRAPA; foi membro da banca julgadora do Laboratório de Audiovisual da Escola de Formação e Criação do Ceará em 2016, a convite de Karim Aïnouz; e representou a produtora Gullane no Company Matching 2016, importante evento de mercado internacional promovido pelo Berlinale Co-Production Market. Colaborou nos roteiros das séries HARD (HBO), UNIDADE BÁSICA T1, T2 e T3 (Universal Channel/Globoplay), e no longa-metragem CORRENDO POR UM SONHO (2021), dirigido por Tomás Portella. É criadora e roteirista de uma série fantástica (Warner Channel/MAX), ainda em finalização. Fez a supervisão de dramaturgia de mais de 10 projetos já lançados, entre eles, as séries O REI DA TV (Star+) e NINGUÉM TÁ OLHANDO (Netflix) e o longa ABE (2019), de Fernando Andrade. 



Yera Dahora

Pós-graduada em direção de cinema pela Feirstein Graduate School of Cinema (Brooklyn College-CUNY). Em Nova York, estagiou para a produtora de elenco Jennifer Venditti (Euphoria, Uncut Gems) nos projetos The Curse e The Sympathizer. Fez formação de roteiro na Roteiraria, em curso ministrado por Zé Carvalho, e workshop com Joan Scheckel (Transparent, Little Miss Sunshine). Diretora dos curtas Non Ducor Duco, Acts Of Crisis, Goodnight Sun, Second Date, e Vinte e Tantos. Assina também a direção de uma série de entrevistas para o canal Enfrente (Youtube), e do video-clipe Só Quero Seu Amor de Bárbara Eugenia (Youtube/Vimeo). Teve experiências com longa-metragem de ficção, atuando enquanto terceira assistente de direção e assistente de elenco em produções nacionais e internacionais. Dentre elas, os filmes Zoom (O2 filmes), A Travessia de Pedro (Buriti filmes e Bionica filmes), Sense8. Participou do filme Alvorada sobre Dilma Roussef como assistente de montagem. Tem resenhas sobre filmes publicadas no site Hysteria. 

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