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A autoralidade na era dos streamings, com Pedro Coutinho

Atualizado: Nov 9

Roteirista e diretor de “Todas As Razões Para Esquecer” (2018), Pedro Coutinho fala sobre o processo de construir uma carreira autoral no cenário brasileiro atual


Bianca Comparato e Jhonny Massaro em "Todas As Razões Para Esquecer" (2018) - Imagem: João Pádua

Sabemos que a jornada de formação de um roteirista pode ser tão múltipla quanto as novas oportunidades de produção e exibição dos seus primeiros trabalhos. O que não significa que os desafios são pequenos - pelo contrário! Mesmo com um mercado aquecido graças a uma grande leva de plataformas de streaming investindo no Brasil, hoje testemunhamos uma grande queda nas produções independentes por conta da paralisação das políticas públicas voltados ao audiovisual.


Assim, parece evidente apontar os dois caminhos que restaram aos talentos do audiovisual: atender às demandas das plataformas ou penar para financiar suas obras de forma completamente independente. Como desenvolver sua voz em um mercado cada vez mais concentrado nas plataformas de streaming e com raros financiamentos públicos? Para tratar desse e outros assuntos, batemos um super papo com o roteirista, diretor e crítico de cinema Pedro Coutinho.


Desenvolvendo sua voz ao trabalhar temas do cotidiano, sempre com bom humor, Coutinho divide os desafios e as vitórias que surgiram no seu caminho, além de apresentar seu processo de criação e alternativas de financiamento de suas obras.


Quem é Pedro Coutinho?

Pedro Coutinho. - Imagem: Manoela Estellita

Pedro Coutinho, carioca de 39 anos, é roteirista, diretor e crítico de cinema, se formou em Comunicação Social pela PUC-Rio e também fez Mestrado em Cinema pela Columbia University, em Nova York. Ele produz conteúdos que falam sobre o cotidiano das pessoas, com um toque de humor e situações inusitadas, que abrilhantam seu repertório.


Amante do cinema desde novo, Pedro começou a desenvolver projetos no meio audiovisual quando trabalhou como estagiário de assistente de direção do longa-metragem "O Casamento de Romeu e Julieta", de Bruno Barreto, em 2004. Seu primeiro curta-metragem como diretor foi o "O Nome do Gato", em 2009. Seu primeiro longa-metragem como roteirista e diretor, “Todas As Razões Para Esquecer”, lançado em 2018, foi indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de “Melhor Comédia do Ano” e selecionado para vários festivais ao redor do mundo, incluindo São Francisco, Havana, Rio e São Paulo.


Dois de seus curtas-metragens, “O Nome do Gato” (2009) e “O Jogo” (2013), foram selecionados para mais de 60 festivais e premiados em diversos países como Brasil, EUA, Inglaterra, Croácia, Espanha, Suíça, Índia, entre outros. Já a segunda temporada da série de televisão “Elmiro Miranda Show” (TBS, 2014), em que foi diretor, foi indicada ao Prêmio Monet de “Melhor Programa Humorístico por Assinatura”.


Coutinho escreveu o piloto e foi headwriter da série “Eu, Ela e 1 Milhão de Seguidores”, do Multishow em 2017. Também participou como roteirista da série “Meu Passado Me Condena”, em 2014. Colaborou no roteiro do longa-metragem “O Homem Perfeito”, em 2018, e esteve nos núcleos criativos das produtoras Damasco Filmes e O2 Filmes. Também roteirizou projetos para os cineastas Bruno Barreto e José Henrique Fonseca, assim como desenvolveu séries para Fox e Globoplay.


Mesmo durante a pandemia, teve a oportunidade de escrever e dirigir remotamente o curta-metragem “Call”, para o Instituto Maria da Penha, que fala sobre violência doméstica durante o isolamento e teve mais de 35 milhões de views. No decorrer desse período de isolamento, dirigiu e escreveu o episódio “Sem Saída”, da série "5x Comédia”, para a Amazon, que conta a história de um casal que vai para lados completamente opostos na forma como lidam com o primeiro mês de confinamento.


Primeiros passos na carreira

Pedro Coutinho. - Imagem: Manoela Estellita

Com o foco em adquirir experiências e desenvolver sua própria voz autoral, Pedro Coutinho começou como estagiário de direção e, posteriormente, assumiu a função de assistente de direção em diversos filmes publicitários e projetos para o cinema.


“Em 2018 eu ganhei um edital para fazer um curta. Era o meu primeiro curta, ‘O Nome do Gato’”, comenta Coutinho, deixando claro que o instinto teve um papel muito importante nessa primeira experiência cinematográfica.


Para o roteirista, ganhar uma bolsa de mestrado para estudar na Columbia University (Nova York) foi “a chance de aprofundar os estudos no cinema”. “Entre 2012 e 2013 eu voltei para o Brasil e por ter uma relação já com a publicidade, voltei dirigindo filmes publicitários. Só que em paralelo eu também trabalhava como roteirista para diversos cineastas”, explica Coutinho, que entende bem os hiatos que envolvem o desenvolvimento de projetos próprios no Brasil.

Cinema no Brasil tem aquela coisa: você faz projeto e nem sempre sabe quando vai acontecer. - Pedro Coutinho

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