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4 exercícios práticos para tirar sua protagonista da zona de conforto

Confira dicas importantes para melhorar a construção de sua personagem e encontrar novas ideias narrativas

"Physical". Imagem: Apple TV
"Physical". Imagem: Apple TV

Protagonistas ativas, donas da sua própria história e capazes das maiores transformações são necessárias, mas não é assim tão fácil conquistar todos esses atributos. Enquanto pensamos no sentido e coerência do plot, é muito fácil deixar nossa protagonista um pouco de lado.


Nas últimas consequências, essa protagonista pode acabar sendo arrastada pela maré da trama e perder completamente seu poder de escolha.


Afinal, uma protagonista que não colhe aquilo que plantou, não é uma protagonista forte o suficiente quando falamos de estruturas convencionais. Como saber se a protagonista está presa demais a sua zona de conforto? O que podemos fazer para testar os seus limites e descobrir elementos novos sobre ela?


Pensando nisso, separamos aqui 4 exercícios práticos para abalar as estruturas da sua protagonista e torná-la ainda mais dona de si. Esses exercícios são inspirados no nosso curso e ebook "A Personagem além das Fórmulas", onde falamos extensivamente sobre possibilidades criativas para chegar em personagens emocionantes e potentes.

Confira nossas dicas!



1. Desafie sua personagem


No melhor estilo “verdade ou desafio”, é preciso colocar sua protagonista diante de escolhas difíceis, mesmo quando essas situações passam longe das páginas do roteiro. Essa é uma boa maneira de estabelecer a bússola moral da sua protagonista.


O que ela faria se sua casa pegasse fogo e só pudesse salvar uma coisa? Ou uma pessoa? Até onde ela iria por amor? Ela seria capaz de saltar de uma ponte para salvar uma vida? Ou ela seria capaz de sacrificar uma vida para conquistar algo?

"Creed III".
"Creed III". Imagem: reprodução

Lembre-se: não é hora de guardar segredo! Neste momento, você transite entre o consciente e o inconsciente da sua personagem. O que ela teria vergonha de admitir, mas que na "hora H" seria capaz de fazer?


Teste moral: o assalto


Pense nessa situação hipotética:

Sua personagem é testemunha de um crime. Vamos dizer que uma pessoa acaba de assaltar uma loja, mas no lugar de usufruir do dinheiro, essa pessoa decide doá-lo para a caridade. Sua personagem sabe quem foi o autor do crime. Se sua personagem decidir levar a questão às autoridades, é possível que o dinheiro, anteriormente doado, retorne ao banco, prejudicando a vida de crianças carentes.


Neste caso, sua personagem é guiada por um senso máximo de justiça? Talvez ela considere que roubar é errado e ponto final. Por outro lado, será que ela é o tipo de pessoa que entende que os fins justificam os meios?



2. Crie um conflito capaz de mudar a forma como sua personagem age e/ou pensa

Creed III
"Creed III". Imagem: The New Yorker

Boas protagonistas são resistentes à mudanças, pois as raízes criadas na sua zona de conforto são fortes o suficiente e ligadas a sua falha central. A transformação tão necessária no fim da jornada é tomada por conflitos que testam essa falha – portanto, nada fácil!


É muito comum negligenciar essa jornada de transformação como um todo e perder o rumo da “correção da falha”. Por outro lado, às vezes nossa protagonista pode experimentar uma transformação conveniente e fácil demais, sugerindo ao espectador que a sua falha central nem era uma questão tão grave assim – o que enfraquece a trama como um todo.


Como fugir dessa? Ora, experimente pensar em uma situação forte o suficiente para fazê-la mudar completamente a forma como ela encara o mundo ou determinada situação.


Por exemplo:

Digamos que a falha central da sua protagonista é a extrema falta de confiança nos outros. Assim, ela se torna incapaz de dividir qualquer coisa, concentrando em si todas as responsabilidades. Para essa protagonista, a jornada de correção exige que ela se encontre em uma situação extrema, onde depender do outro pode salvar algo de muito valioso para si.


O que faria essa pessoa mudar drasticamente de opinião? Até onde vai a sua falta de confiança? Ela seria capaz de arriscar a própria vida pela incapacidade de confiar no outro? E quando a confiança é necessária para salvar a vida da pessoa que ela mais ama? Neste caso, ela daria uma chance à força?


Pense em uma situação limítrofe, mesmo que você não a utilize mais tarde, que faria sua personagem encarar seus medos e sua maior falha, colocando-a diante de um importante sacrifício. Esse tipo de exercício ajuda também a encontrar outras possibilidades estruturais e de até de cenas.



3. Fofoque sobre sua personagem

bridesmaids
"Bridesmaids". Imagem: reprodução

Uma das melhores ferramentas de construção de personagens interessantes é a boa e velha fofoca. Isso mesmo! Como princípio, a fofoca nasce quando há algo de interessante a ser dito. Ou melhor, algo fora do comum, acima das expectativas. Uma fofoca que cai na mesmice é... péssima. Sem graça.


O fofoqueiro aumenta, inventa o que for necessário, traça um juízo de valor e, normalmente, tenta ser coerente com sua tese. Se a tese do fofoqueiro é "fulano é um mentiroso", a apresentação que ele fará dessa personagem privilegiará os pontos que reforçam esse grande desvio de caráter.


Se uma fofoca sobre sua protagonista rolasse solta na praça, o que as demais pessoas da vida dela diriam? Como cada um a encara? Uma antagonista do trabalho, de olho na promoção, não a veria da mesma forma que o seu irmão adorado, por exemplo.


A fofoca é como uma caricatura – ela pega uma falha identificável e a deforma ao prazer daquele que a conta. Isso é importante, também, para analisar se a sua construção não está estereotipada ou muito rasa.


Nessa brincadeira de fofocar sobre sua protagonista, é possível elevar o volume de algumas características que, por vezes, estão mais apagadas e deveriam ter mais destaque em algum momento.


4. Lembre-se: o corpo fala

"Staying Alive" (1983)
"Staying Alive" (1983). Imagem: reprodução

Diálogos são importantes e têm maior ou menor relevância de acordo com a proposta de cada produto audiovisual. Dito isso, é importante lembrar que o diálogo não pode ser uma muleta e por vezes é muito fácil usá-lo como forma de revelar questões internas.


Considere pensar um pouco na linguagem corporal e como ela pode ser um produto de toda a vivência da sua protagonista. Se sua personagem perdesse a habilidade da fala, como ela lidaria com o dia a dia? Ela é uma pessoa ágil, solta, que gosta de gesticular, abraçar e sentir o calor humano? Ou ela é mais retraída?


Experimente exercitar situações que exigem da sua protagonista domínio do seu próprio corpo, seja para escapar de algo, para dissimular ou mesmo demonstrar difíceis sentimentos. As palavras vão até certo ponto e muitas vezes escondem mais do que revelam. O corpo, por outro lado, costuma ser mais “verdadeiro”. Usar expressões corporais para complementar ou mesmo contradizer diálogos é uma forma inteligente de pensar as falas.


Que tal usar a existência alheia como inspiração? Pode ser uma pessoa famosa, um familiar ou estranho que você observou na rua. Isso nos ajuda a trazer manias, cacos, a própria estrutura da fala e a postura corporal para a construção.



Conclusão

Physical
"Physical". Imagem: Apple TV

Esses 4 exercícios de construção de personagem são algumas das muitas ferramentas que você pode utilizar para tirar sua protagonista da zona de conforto e testar os seus limites.


Protagonistas passivas, flats ou desinteressantes no geral são responsáveis por afundar até mesmo as melhores tramas. Portanto, muita atenção na hora de construir personagens.


Quer aprender outras importantes ferramentas narrativas para construção de personagens complexas? Participe da 2ª edição do nosso curso “A personagem além das fórmulas”!


São 4 aulas ao vivo que ficarão gravadas para inscritos, com conteúdo teórico e análise prática. Além de tudo, você leva um material complementar em forma de ebook com mais de 100 páginas de conteúdo!

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