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“O Gênio do Crime”: escrevendo adaptações de sucesso, com Ana Reber

A roteirista da adaptação do clássico infantojuvenil fala sobre o processo de escrita


Imagem: Paris Filmes
Imagem: Paris Filmes

Que adaptar um livro para o cinema não é só formatar em master scenes, você já sabe.


O processo envolve repensar estrutura, mudar de tom e até um design de audiência para se tornar um bom filme ou série.


É sobre isso que conversamos com Ana Reber, roteirista do filme “O Gênio do Crime". O clássico infantojuvenil de João Carlos Marinho foi reimaginado para públicos atuais, mas sem perder a essência da história que conquista o país desde 1969.


O filme se passa durante a Copa do Mundo. Gordo e seus amigos tentam completar o álbum de figurinhas do colégio. Ao descobrir um esquema de falsificação de figurinhas, ele inicia uma investigação cheia de suspense, aventura e humor, ao lado dos amigos e de Berenice, por quem se apaixona, enquanto buscam revelar a verdade.


Hoje, trazemos as experiências e opiniões da roteirista e de outros integrantes da equipe, além de mais informações sobre o lançamento. Confira! 


Sobre o filme


O sucesso de João Carlos Marinho chega aos cinemas em uma adaptação inédita para as telonas. Publicado originalmente em 1969, o livro tornou-se um marco do gênero infantojuvenil, com mais de um milhão de exemplares vendidos e cerca de 60 edições ao longo de sua trajetória.


A nova adaptação cinematográfica acompanha as aventuras da icônica turma do Gordo, formada pelos jovens personagens interpretados por Francisco Galvão, Bella Alelaf, Samuel Estevam e Breno Kaneto. 


Imagem: divulgação
Imagem: divulgação

Na trama, após completar o álbum da Copa do Mundo de 2026 ao conquistar a cobiçada figurinha rara de Vinícius Júnior, o personagem Edmundo (Samuel Estevam) segue com os amigos até a fábrica responsável pelo álbum para retirar o prêmio prometido.


O que parecia ser apenas a celebração de uma conquista logo se transforma no início de um grande mistério.


Os amigos descobrem que a figurinha rara está sendo falsificada, colocando em risco a credibilidade da fábrica Escanteio, comandada por Seu Tomé (Ailton Graça), e ameaçando levar o negócio à falência.


Determinados a descobrir a verdade, os jovens embarcam em uma investigação pelas ruas de São Paulo. Ao lado do enigmático Mr. Mistério, interpretado por Marcos Veras, o grupo se envolve em uma trama repleta de suspense e reviravoltas para desmascarar o responsável pelo esquema criminoso.


O longa é uma produção da Boutique Filmes em coprodução com a Globo Filmes, com distribuição pela Paris Filmes. A direção é de Lipe Binder, com roteiro assinado por Ana Reber e produção de Tiago Mello.


Confira o teaser:



Em entrevista cedida à assessoria de imprensa, o produtor Tiago Mello comentou um pouco sobre o processo de feitura do filme:

“[...] O aspecto geracional sempre foi muito importante [...]. Foi um projeto que nasceu dentro da Boutique e que desenvolvemos com muito cuidado. Trabalhamos com vários roteiristas até chegar à versão final escrita por Ana Reber e depois convidamos Lipe Binder para dirigir. Reunimos também uma equipe muito talentosa, com atores como Thales Junqueira e profissionais como o diretor de fotografia Pedro Sotero, que já trabalhou em projetos como Bacurau.”

Ele também comentou sobre os desafios de produção:


“Primeiro veio a negociação dos direitos. O autor, João Carlos Marinho, já havia falecido, então conversamos com os filhos, que são os herdeiros da obra. Depois disso, desenvolvemos o projeto com bastante calma para que ele ficasse realmente interessante. Foi um processo de maturação, trabalhando com diferentes roteiristas até chegar à versão final do roteiro.”


Ana também dividiu um pouco sobre os desafios de escrita. Mas antes de falar sobre isso, conheça melhor a roteirista.


Quem é Ana Reber


Imagem: divulgação
Imagem: divulgação

Ana é roteirista dos filmes “Depois do Universo” (2022, Netflix), “Uma Quase Dupla” (2018, Dir. Marcus Baldini) e “Vitrola” (2013, Dir. Charly Braun). Seu quarto longa, “Amor na Contramão”,  será produção da Casé Filmes. Foi criadora e chefe de sala da série “Mal Me Quer“ (2019), primeira comédia brasileira do canal Warner. Também é roteirista do longa-metragem “O Gênio do Crime” (2026).


Participou do roteiro de diversas séries produzidas para TV e streaming, como “Natália” (2011, Universal Channel), “Sítio do Picapau Amarelo” (2012, Cartoon Network), “Sessão de Terapia” (2013, 2014 e 2021; GNT e Globoplay), “De Volta pra Pista” (2013, Multishow), “Rua Augusta” (2017, TNT), “Eu, Você e um Milhão de Seguidores” (2017, Multishow) e “Maldivas” (2022, Netflix).


Além de seus trabalhos no audiovisual, é autora de dois livros infantis: “Wanderléia – A Princesa que Queria ser Plebéia” (2009, Editora Bispo) e “Joana e Maneco” (2013, Geração Editorial).


Saiba mais aqui e no iMDB de Ana.


Nossa conversa com a roteirista


1. Uma pergunta inicial bem ampla: como foi o processo de adaptação?


Na minha opinião um dos aspectos mais importantes no trabalho de adaptação é preservar, ao máximo, a voz do autor.


Embora o cinema exija mudanças — seja na estrutura da trama, no desenvolvimento dos personagens ou no ritmo narrativo —, é essencial que os fãs da obra reconheçam na tela o tom de O Gênio do Crime e toda a engenhosidade que fez deste livro um sucesso que atravessa gerações.


2. Qual foi o maior desafio na adaptação? Estrutura, temas, arcos de personagens, etc.?


Uma das primeiras e mais importantes decisões foi trazer a Berenice — que, no livro, aparece mais tarde — para o início da história. Queríamos que o grupo começasse a investigação já com a presença dela, fortalecendo a personagem feminina. 


Achamos fundamental que ela tivesse mais ação e ainda mais inteligência. Era uma personagem fascinante que merecia mais destaque.


Imagem: divulgação
Imagem: divulgação

Além disso, o  João (Gordo) também ganhou um arco de crescimento mais definido, já que o filme aborda a transição da infância para o início da puberdade. Edmundo e Pituca também tiveram suas jornadas ampliadas, com conflitos mais desenvolvidos, o que ajudou a enriquecer o conjunto da narrativa.


3. Qual foi o maior desafio ao pensar essa história para o público atual? Houveram mudanças narrativas significativas (objetivos, temas, tom)?


O público infantojuvenil de hoje vive em um ritmo mais acelerado e tem um acesso muito maior à informação do que na época em que o livro foi escrito. Por isso, foi necessário ajustar a narrativa para acompanhar essas mudanças dos tempos.

Trabalhei com mais reviravoltas, intensifiquei o suspense e adicionei camadas de complexidade ao mistério.


No tom, preservamos o humor característico da obra, mas nas piadas optamos por explorar outras características do Gordo: ele é um garoto engomadinho, superprotegido, quase uma “criança adulta” — o que abre espaço para situações super engraçadas.


Imagem: divulgação
Imagem: divulgação

Em entrevista cedida à assessoria de imprensa, o diretor Lipe Binder também comentou sobre sua experiência nesse quesito:


Tivemos muitas referências dos filmes do Spielberg, que ele dirigiu ou produziu como “Os Goonies” e “Super 8”. Uma das características que é bem presente nesses títulos e que a gente queria trazer para o nosso trabalho é essa faixa etária de doze anos, que já não é mais criança, são pré-adolescentes. Eles querem sair de casa para ir para o centro de São Paulo para desvendar um crime, então trouxemos um tom de interpretação de jovens adultos. 


Mantivemos fidelidade à proposta do livro de criar mistério e suspense, sem abrir mão do clima de aventura e do lado afetivo de quatro amigos que se unem para desvendar o crime.


4. Ana, você tem alguma cena favorita? Por quê?


Gosto muito da sequência da perseguição ao contrário. Acho uma ideia engenhosa, divertida e que dá um nó no cérebro.


5. Depois dessa experiência, você teria alguma dica ou recomendação para quem vai embarcar num processo semelhante?

Ao contrário do que muita gente pensa, adaptar é mais trabalhoso do que escrever uma obra original. É um processo desafiador e exige muita criatividade do roteirista para encaixar peças que já existem. 

Mas para isso dar certo, é preciso deixar o ego de fora e saber que você está a serviço da obra e não o contrário.


Imagem: Duba Rodrigues
Imagem: Duba Rodrigues

“O Gênio do Crime” chega aos cinemas em 14 de maio de 2026.


Confira o trailer:



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